Nassif diz que bolsonarismo atuará nos porões e Gilmar será a grande âncora democrática

“Será uma guerra diuturna, no qual as instituições serão novamente desafiadas pelos porões, agora na forma da Polícia Federal, de alguns procuradores e juízes de primeira instância mancomunados. E a grande âncora democrática será a coragem do companheiro Gilmar Mendes”, diz o jornalista10 de novembro de 2019, 04:44 h

Jornalista Luis Nassif
Jornalista Luis Nassif (Foto: Felipe L. Gonçalves/Brasil 247)

Trecho da coluna de Luis Nassif, no GGN – Tudo indica que a estratégia de Lula terá dois momentos. O primeiro, o de fortalecer suas hostes, reanimar o PT, assumir o protagonismo do antibolsonarismo e atrair para sua órbita os demais partidos de esquerda, que balançam entre ele e Ciro Gomes.  Para tanto, recorrerá – como está recorrendo – a uma retórica de guerra. Demarcado o seu território, o segundo tempo será o das negociações. Aí haverá uma flexibilização do arco de esquerdas, no qual Lula terá que atuar como articulador e mediador, não especificamente como petista. Consolidada essa etapa, as negociações terão que buscar um espectro mais amplo, do centro e do centro-direita.

(…)

Resta saber como será a revanche dos porões, que se manifestará em duas frentes. Uma delas será a de acelerar os julgamentos dos processos atuais. Na véspera do voto final de Toffoli sobre a segunda instância, com sua malícia eficaz e discreta (ao contrário do populismo vazio de Barroso), Fachin propunha uma saída honrosa: a do STF considerar que o trânsito em julgado se encerraria com o voto do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que teve em Felix Fischer um grande aliado da Lava Jato. Ao estender o conceito até a palavra final do STF, os 6 do  STF, de certo modo, consideraram que a politização também havia chegado no STJ. Por isso mesmo, a palavra final será do Supremo.

A operação da Polícia Federal de Moro, pretendendo condução coercitiva de Dilma Rousseff e do próprio Lula (ainda que preso) é o sinal mais evidente da reedição dos atentados dos anos 70, que se seguiram à derrota de Silvio Frota na sucessão de Ernesto Geisel. Lá, se jogavam bombas contra pessoas e bancas de revistas; aqui, se jogam petardos contra as instituições. Em ambos os casos, o objetivo é impedir a volta da democracia.

Será uma guerra diuturna, no qual as instituições serão novamente desafiadas pelos porões, agora na forma da Polícia Federal, de alguns procuradores e juízes de primeira instância mancomunados. E a grande âncora democrática será a coragem do companheiro (:;) Gilmar Mendes.

O desafio maior será nos próximos meses, período em que Lula recorrerá, mais do que nunca, à retórica de guerra e os porões tentarão, mais do que nunca, impedir a marcha da normalização democrática.

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